Estou farta! Farta de ti, do teu cheiro, dos teus movimentos! Quero-te distante. Longe vão os tempos dos nossos movimentos simbióticos, onde um sopro transportava tudo o que tínhamos, e transformava o fluido aquoso do nosso amor em vapor.
Tornaste-te num objecto egoista, fechaste-te na tua redoma e viajaste para longe. A escolhe foi tua, e o blihete é só de ida. Permiti que entressas dessa forma na minha vida, e sem pedir licença irrompeste pela minha casa, pelo meu quarto, pela minha cama e despiste-te de vergonha. Violaste as leis do bom senso, quando achaste que o meu corpo seria o teu. Usaste-o a teu bel-prazer até saciares o teu apetite, e quando satisfeito, encostavas o meu corpo a um canto, acendias o teu cigarro e, na escuridão ensurdecedora, adormecias. A manhã seguinte era constantemente vivida da mesma forma, acordava sempre sem ti ao meu lado e sem saber que destino tinhamos tomado, não sabia sequer se nessa noite voltarias.
A ansiedade era incontrolável, tornava-me incapaz de telefonar para questionar o que quer que fosse com receio que não voltasses nunca mais.
Hoje, num dia cinzento, acordei uma vez mais sem ti ao meu lado, levantei-me e olhei à janela, aquela em que me debrucei todos os dias quando tu desaparecias. Chovia bastante. Nesse momento, decidi que essas gotas fariam parte das minhas últimas lágrimas. Fiquei ali toda a manhã e recuei até ao nosso primeiro dia, o último da minha vida. Hoje renasci e percebi que só posso agradecer-te por tudo o que não fizeste por mim.
FARTEI!
terça-feira, 6 de novembro de 2007
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